Cresci vendo jovens e adultos sofrendo por amor, perdendo o seu tempo, sua capacidade de concentração e externando insatisfações, em alguns casos uma dor quase física, logo pensei, não quero isso para mim, se é bom não deveria machucar tanto.
Recordei-me da trágica história impregnada na minha família ancestral, um pobre Montecchio que suicidou-se por amor. Logo nas primeiras aulas de filosofia conheci Schopenhauer e Nietzsche, ambos com pensamentos pessimistas acerca de relacionamentos que estavam intrinsecamente coerente com os meus, decidi então estudá-los, foram neles que centrei os meus esforços acadêmicos. Desenvolvi mecanismos e técnicas que, pensei eu serem eficazes, consegui me esquivar de todas as setas ardentes desse miserável ser mitológico, vulgarmente conhecido como cupido, a mim nunca acertou. Acreditei então que realmente tinha conseguido o que muitos tentam e apenas uma quantidade muito limitada e extremamente seleta consegue, fazer com que a sua mente tenha pleno domínio sobre o seu coração.
Conheci inúmeras mulheres, com algumas delas até me relacionei, mas nenhuma conseguiu por rédeas em mim, nunca o amor teve domínio sobre o meu pensamento e ações, me envolvi sentimentalmente por uma mera necessidade social, não sentimental. Via relacionamentos como apenas mais um detalhe, nada de avassalador que justificasse o ensandecimento de algumas pessoas, loucuras de uns, tristeza de outros, suicídio hipótese possível.
Por todos esses anos eu realmente pensei que o amor jamais me pegaria de cheio, crente de que isso era fruto dos meus méritos da capacidade de não se apaixonar que eu havia desenvolvido em mim. No entanto, para o meu infortúnio descobri que na verdade, eu só nunca tinha me apaixonado de verdade.
Há alguns dias, em uma das minhas caminhadas ao entardecer deparei-me com uma mulher, quisera eu nunca ter feito aquele caminho. Aquilo não deveria ter acontecido, ela não poderia ter nascido. Nada do que eu disser aqui ou tentar externar, nem se pensar em todas as manifestações de todos os artistas plásticos, nem a poesia inútil de todos os poetas e nem as músicas de bach, e nem nada que esteja sobre a face da terra e ou embaixo dela, podem expressar o que há nela. Por Deus não é possível, que encanto há? Que mágica? Que ritual foi necessário para se fazer um ser com tamanha graciosidade, o seu cabelo, fios de ouro, a sua boca, seu olhar, seu corpo, sua face... nela há tudo que existe em todo mundo, mas por que? Por que que tudo nela é mais bonito? por que ela é diferente de tudo que eu já vi? E porque estou reagindo dessa maneira, coração acelerado, como se faltasse o chão, o sangue parece que desapareceu do meu corpo e uma vertigem me faz temer um desmaio repentino, como pode o meu corpo todo interagir de maneira tão intensa no simples fato de tê-la visto?
Pro inferno Nietzsche e Schopenhauer, vocês não sabem o que dizem, mentiram pra mim o tempo todo, danem-se todos os filósofos pessimistas que perderam sua vidas tentando combater o sentimento mais exteriorizado do mundo, vida aos poetas, aos músicos e todos os outros artistas que fazem do amor o seu objeto de trabalho.
Iago Montecchio


1 comentários:
Ain lindo o início dessa história, quero mais capítulos, quero ler mais... adoro romances pseudos...
Bjs e fico aguardando! *.*
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